Igor Garcia
Minha blogagem coletiva ainda não rendeu frutos! Estou de péssimo humor hoje e resolvi descontar na política e no que a FALTA de cultura, responsabiliade, conscientização e merda de vergonha nos cornos é capaz de construir:

Matou a Política, por Guilherme Fiuza jornalista e autor do livro "Meu Nome não é Johnny"

A eleição mais disputada do Brasil foi decidida pela ignorância. A ignorância dos cultos e dos bem-pensantes.
O vencedor, candidato de Lula e do governador Sérgio Cabral Filho, era também o candidato das milícias, como mostraram as pesquisas de opinião. Além do braço armado, tinha o braço da pirataria ideológica. Panfletos difamatórios foram apreendidos aos milhares nos comitês de Eduardo Paes.
A parcela mais esclarecida da população, aquela que grita por uma cidade mais civilizada e ética, aderiu a Fernando Gabeira. Uma "onda verde" das pessoas de bem adotou o candidato da transparência, que divulgou nome por nome dos seus doadores de campanha. E as quantias também. Tudo isso antes do primeiro turno. Uma revolução.

Num eleitorado de quase 5 milhões, Gabeira perdeu por pouco mais de 50 mil votos. Não foi derrotado pela campanha suja do adversário. Foi derrotado pelas "pessoas de bem".
A abstenção no Rio foi recorde. No feriadão criado pelo padrinho do vencedor, mais de 20% não votaram. E esse recorde foi puxado pela Zona Sul da cidade - onde está a maior concentração de cultos e bem-pensantes. Dessa turma, nada menos que um em cada quatro eleitores trocou a urna por um programa melhor.

Gabeira foi derrotado pelo eleitor de Gabeira.

O candidato do Partido Verde, que fez história nessa eleição com sua cruzada contra a baixaria, disse que derrotaria as máquinas estadual, federal e universal - a do bispo Crivella, amigo de Lula, que assim como as milícias aderiu a Eduardo Paes.

Gabeira derrotou-as. Só não conseguiu vencer a máquina da ignorância culta.

É a mais letal das ignorâncias. Trata-se daquela em que o sujeito tem educação e informação suficientes para discernir. Mas não assume suas responsabilidades.
Do povão manobrável, espera-se que seja manobrado. Das milícias e máquinas, espera-se que manobrem o povão. Da elite esclarecida, espera-se que dê o exemplo.

A elite esclarecida matou a política e foi ao cinema. Ou à praia. Ou viajou. Ou foi a uma festa antecipada de Halloween estunidense. É direito dela. Só não tem mais direito de choramingar a falta de ética dos outros.
8 Responses
  1. cotrimus Says:

    Concordo em gênero, número e grau.
    O problema do Rio de Janeiro, ou melhor, do Brasil, sem querer cair em cliché mas já caindo, é a falsa idéia de elite culta.
    Me soa quase que incompatível essas duas palavras na mesma frase...ou se é culto ou se pertence a um grupo de elite. Na boa!
    Mas calma, estou considerando "elite", a corja que detém o poder, as influências, os acessos. Gente culta escreve blog, se exercita, lê, trabalha, acredita. Estes não tem tempo para ganhar dinheiro...


  2. *Renata Says:

    Sr. Igor?!!

    Cadê sua postagem da blogagem coletiva?!

    Espero que tenha passado o mau humor, hehe. Bom final de semana querido :)


  3. luzdeluma Says:

    Poderia ter falado da tradição tupiniquim de votar em quem está ganhando. Comodismo e falta de responsabilidade. Incoerente também um país em que o voto é obrigatório, poder o voto ser 'justificado', não? Porque correios não possuem a urna eletrônica?


  4. Umpoeta da minha época já disse: "A burguesia fede"!

    Um outro tbem disse: " Cada povo tem o governo que merece"

    AMV

    beijos


  5. Oi, Igor! Esse mal-hunor é normal depois de uma semana como a que você teve! Bom domingo! Andréa


  6. Grande Igor,

    O prefeito ganhou por poucos votos de diferença. Então aí no Rio, ele parte com pouca aprovação popular, tempo de fazer cobranças. Boa sorte ao Rio, pois serão 4 anos, e 4 anos não resolve nada, mas pode piorar muitas coisas.

    Foi mal, você não disse que era pra ajudar no seu humor.

    Abraço

    Pedro


  7. viviane Says:

    quase chorei com esse texto...fodastico...


  8. drika Says:

    nossa, Igor. q texto brilhante!
    uma verdade plena e absoluta. ninguém mais pode reclamar, qdo tinha o poder de mudar, desistiram.
    infelizmente.


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