Igor Garcia
“Minha vida, meu aplauso

Fiz de minha vida um enorme palco
Sem atores, para a peça em cartaz
Sem ninguém para aplaudir este meu pranto
Que vai pingando e uma poça no placo se faz.
Palco triste é meu mundo desabitado
Solitário me apresenta como astro
Astro que chora, ri e se curva à derrota
E derrotado muito mais astro me faço.
Todo mundo reparou no meu olhar triste
mas todo mundo estava cansado de ver isso
e todo mundo se esqueceu de minha estréia
Pois todo mundo tinha um outro compromisso.
Mas um dia meu palco, escuro, continuou
E muita gente curiosa veio me ver
Viram no palco um corpo já estendido
Eram meus fãs que vieram pra me ver morrer.
Esta noite foi e a noite em que virei astro
A multidão estava lá, atenta como eu queria
Suspirei eterna e vitoriosamente
Pois ali o personagem nascia
E eu, como ator do mundo, com minha solidão...
Morria!

(Anderson) Sandra Mara Herzer�

Nascido(a) no interior do Paraná no dia 10 de junho de 1962 era deixado aos cuidados da avó paterna. O pai foi assassinado a tiros quando Herzer era ainda muito pequeno. A mãe era prostituta, pouco o via. A mãe também morreu cedo. Foi então adotado por um casal de tios com quem passou a tratá-los por pai e mãe. Logo no início da adolescência encontrou na bebida um refúgio. Aos 13 anos teve um namorado chamado Bigode que morreu tragicamente em um acidente de moto. Divergências familiares e seu envolvimento com bebida levaram seus "pais" a se livrar dele enviando-o para a FEBEM sem nunca ter cometido qualquer crime. De então sua vida, dos 14 aos 17 foi entre uma unidade e outra da FEBEM com pequenos períodos de fuga, onde "respirava" o mundo exterior.

Essa é a pequena e fulgaz história de Sandra Mara Herzer, a poeta de literatura Marginal, muito pouco conhecido e felizmente com um admirador desde sempre: eu! Conheci o livro de Herzer em 1996 e desde então nunca mais o vi. Garimpando titulos em busca de informações de apoio para meu trablho de violência infantil, encontro o livro de Herzer como REFERÊNCIA a esse tema. Muitíssimo bem colocado e aplicado, qq um deveria ler e se aprofundar na vida dela, que se caracterizou como homem para obter uma defesa perante tudo que ela sofreu.
Literatura antes de ser classificada, não pode deixar de lado um de seus maiores objetivos: difundir a cultura. Literatura marginal, Capítulo à parte. Desvio de uma realidade em que muitas pessoas acham exagerada. Esse é um relato seco e sofrido, onde mais do que ver, nada mais sincero do que nos fazer enxergar.

Reflita sobre seu sofrimento atual, e agradeça sempre por não ter que mudar sua personalidade para sobreviver. Adaptado para o teatro, é encontrado nos melhores sebos do Rio:

A QUEDA PARA O ALTO
Sandra Mara Herzer
Editora Vozes

Beijos, abraços e um remedinho de vez em quando...
4 Responses
  1. Anonymous Says:

    Buscando encontrar algo sobre este livro "a queda para o alto", me surpreendi pelo sentimento de encontrar pessoas q sentiram o mesmo que eu. Na minha adolescência li este livro, e perguntei a uma professora, ela até fez pouco quando falei sobre o título, fiquei triste por uma pessoa de tão finos tratos não conseguir fazer uma leitura de um título tão interessante além do conteúdo instigante. Pena que os adultos, só viam o que estavam no vestibular e não apreciavam mais nada. Porém pude ver a grandeza do livro. Fico feliz por ter encontrado alguém que tb leu e compartilhou sentimentos sememlhantes.



  2. helaine Says:

    Esse livro representou muita coisa pra mim durante a minha adolescecia, por isso recomendo a todos os jovens.Aprendi muito,cresci muito e amadureci muito após le-lo.


  3. Thiago. Says:

    A história de vida de "Bigode" é demais, como sou emotivo, chorei em várias partes da naração, muito bom mesmo, dá para viajar muito em suas fugas e rebeldias !!

    Abraços para todos que leram !!!

    Thiago. 27/02/2010 - 20:53


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