Igor Garcia
Minha queridíssima e espetáculo Rê da Limeira, e do blog Mundo na Luneta, me passou esse meme psicoterapeutico que é o seguinte:
  1. Colocar o link de quem te indicou pro meme; colocado
  2. Escrever estas 5 regras antes do seu meme pra deixar a brincadeira mais clara; escrita
  3. Contar 6 fatos aleatórios sobre você (essa é a proposta da brincadeira!); contado
  4. Indicar 6 blogueiros pra continuar o meme; indicado
  5. Avisar para esses blogueiros que eles foram indicados. tá avisado! ;-)
coisa linda de Deus

1 - Sou extremamente curioso. Imagina uma criança de 6 anos de idade que JAMAIS fica com uma pegunta sem resposta? Sou eu! (já me disseram que vou pagar todos os pecados por isso o dia que tiver um filho/filha e ele/ela chegar aos 6 anos de idade!) Hoje eu sou e estou muito mais focado no que eu realmente preciso ser curioso, mas não deixo de dar uma pincelada em algum assunto novo de vez em quando;

2 - Por mais que já tenha tido uma infecção alimentar, eu como de tudo! Sou um onívoro jurássico! Obviamente que sei distinguir uma boa comida de uma ruim! O que quero dizer é que não tenho a menor frescura mortal de comer um restaurante requintado e refinado ou num pf de um buteco, numa lanchonete do tipo SubWay ao X-tudo ou Cachorro quente da esquina! Eu prefiro uma boa mesa, com comidas gostosas, bem feitas e com um tempero especial, não importa se estou num Bistrô ou numa pensão. Adoro, ADORO frutos do Mar, de todos os tipos, menos mexihão. Já gostei, hoje nem tanto. AMO uma Paeja, desde que tenha alguém disposto a comer junto! Um Dia dos Pais eu fui a um restaurante especial de Charitas, Niterói, com meu velho e pedimos uma Paeja PEQUENA. Porra, meu velho só comeu meio prato. Eu comi quase tudo. Hoje não faço essas papagaiagens gastronomicas, como aquilo que me satisfaz necessariamente. Ah sim! ADORO chocolate, é o unico doce que como com vontade, já que não sou muito chegado a doces;

3 - Eu falo para caralho! Já me apelidaram de Burrinho do shrek! Eu falo o tempo inteiro, converso sobre tudo, sempre puxo assunto, o que não falta é papo. Isso já rendeu varios micos, como falar o que não deve na hora errada, para pessoa errada. Para mim isso era rotina! Uma vez eu estava conversando sobre política internacional num barzinho, junto com uns amigos de faculdade, sobre o conflito entre Palestinos e Israelenses (muito atual o assunto), e fiz uma palestra a favor dos Palestinos. Porra, o cara, judeu, ficou revoltado! Nem sabia que ele era judeu! Gerou mais discussão, aí eu falei que é assim que os conflitos começam! Aí nego já tava segurando o cara! Isso é o mais brando que eu lembro! Hoje como tenho conversado pouco em casa, meus hábitos estariam mudando para serem mais comedidos. Como falo com o cachorro, com o papagaio, com as tartarugas e com as paredes, não mudou muita coisa;

4 - tenho uma mudança de atitude, quase de personalidade, quando lido com problemas muito sérios, envolvendo risco de vida principalmente. Sou 60% racional e 40% emocional. Me torno 95% racional, o famoso contador de frigorífico, frio e calculista. Não me impressiono com nada, não me abalo, não me abato, não me canso e muito menos expresso algum sentimento visível antes e durante. Depois eu desabo para relaxar.

5 - Sou muito calorento! As vezes penso que nasci no Havaí ou em algum país africano que cruza o deserto do Saara! Enquanto a Rê tinha suadouros nas mãos, eu tenho dos pés a cabeça! Não é hiperidrose, já procurei um médico para isso! É sei lá...calorimetria corporal excessiva , acabei de inventar um nome para ciência, se é que já não existe! Quase nunca sinto frio, enquanto as pessoas se agasalham eu me sinto bem, em casa, quando todo mundo estava de casaco e meias, eu estava de cueca..sem meias, claro! No Verão eu viro um camelo de tanto que eu bebo água para refrescar e passei a ter sempre uma garrafinha do lado do computador...de 1,5 L! eu sempre tomei, hoje eu parei por causa de $, complementos alimentares para aumentar a energia, porque como transpiro demais ao fazer exercícios, acabo me cansando mais rápido. O Céu foi quando fiz natação, que eu quero voltar o mais rápido possível! Uso sempre perfumes e desodorantes antetranspirantes (nada parecido com a propaganda do Axe), e um ambiente com ar condicionado para mim, só não é o paraiso porque sou alérgico. O médico me falou que a vantagem é que eu tenho um sistema imunológico de ferro! Então é melhor suar de vez em quando...

6 - A minha saude ondontológica parece ter a ver com o numero de passos que eu dou por dia e o quantidade de calorias que queimo quando trato dela, ou seja, eu não consigo escovar os dentes PARADO! Eu ando pela casa, coloco o café para fazer com a escova na boca, procuro meu chinelo, já arrumei a cama escovando os dentes, ligo o computador, procuro um livro, abro as janelas e por aí vai. É automático, entro no banheiro, acendo a luz, coloco a pasta na escova, a escova na boca, apago a luz e lá vamos nós! Como sou profissional nisso, eu não babo pela casa igual cachorro raivoso (antes que alguém ja faça essa piadinha). Chegará um dia que eu irei a padaria e esquecerei que tenho uma escova de dentes na boca!

6,5 - Meu vício de água tb está ligado a uma doença. Por mais engraçadanho para carilho, desde moleke eu adorava beber leite, principalmente com alguma coisa dentro (nescau, toddynho, ovomaltine, sorvete, baunilha, complemento alimentar, vitamina). Quando adulto passei a beber leite puro, sem açucar nem nada. Adorava! Meu medico já me sacaneaou, dizendo que é por isso que já tomei tanto estabaco nessa vida, cai de muro e já capotei de bicicleta e nunca quebrei um osso! Só que em agosto desse ano eu tive Pedra nos rins, que a maioria das vezes ocorre por excesso de cálcio no organismo. Foi ótimo acordar a 1 da manhã como se levasse uma facada nas costas. A dor é insuportável! O SAMU veio aqui em casa porque minha pressão desabou e tive arritmia cardíaca. E convivia com a dor 24 horas, não há Urologista na saúde publica no Rio de Janeiro ou não há vaga. Passei esse período na base de ervas, chás naturais e...água, MUITA, MAS MUITA água! Eu bebia em torno de 10 litros por dia e me sentia um alcóolatra indo 7 vezes por dia ao banheiro para urinar, até a pedra ser dissolvida e sair na urina. Hoje eu consumo muito menos leite, a maioria das vezes com café ou com algum achocolatado, sempre antes de fazer exercícios! O camelo sobreviveu!

6,8 - Algo transcedental e inexplicável me liga a Terra e a Água! Adoro caminhar descalço, pela casa ou não, desde os 3 anos sou assim, pisar na grama, no mato, na terra, na poeira, na lama, no barro, na poça, igual criança, na pedra, na areia, no piso, no mármore, na madeira, no cascalho, no asfalto, no cimento, nos tijolos, nas folhas, nos limos, no humo, nas montanhas, nas trilhas, nas vielas, na terra úmida, adoro cheiro de terra molhada! Adoro água, não importa aonde, de onde, nem por onde, adoro! Amo chuva e cheiro de chuva, adoro tempestades, mesmo que eu esteja nela, adoro o banho de chuva, com o ou sem roupa, como quase não sinto frio, me refresco, adoro raios e trovões, me fascinam mais do que assustam, adoro o mar, a maresia, o barulho das ondas, o cheiro do sal, a textura da areia molhada, as ondas entre cortando e vc pegando ondas junto com elas, nadar debaixo delas, sentir o fundo do mar, furar ondas ou navegar com elas, já nadei em mar revolto, já lutei com correntezas e quase fui levado para alto mar, sinto falta disso, adoro cachoeiras, seus recantos, o ar em volta dela úmido, o cheiro do mato molhado e o sabor da água doce, a espuma que se forma quando a queda dágua bate no leito dagua formado pela cachoeira, aquele nevoeiro formado pelas gotículas de água pairando no ar, faz até cócegas no nariz, um banho refrescante de cachoeira, mesmo sendo de água gelada, podendo se extender ate a banho de rio pegar ondas pelas correntezas, com cuidado para não se espatifar nas pedra! De chuveiro não tem muita graça ? Mas até nisso existem meios de tornar ele mais próximo da natureza seja ela do meio ambiente, seja ela humana, pois despertar saudades inenarráveis de alguém que está tão perto, ao mesmo tempo tão longe, num simples banho, é a mais sublime comunhão entre a natureza e o homem (nesse caso a mulher! rs)

Convoco para gincana:

Drika, do Loucamente
Pedrão, do Resto do Verso
Tati, do Casas de Retalhos
Dia, do In Case of Emergency Smile
Andréa, do Leio o Mundo Assim
Igor Garcia

Somente Deus conhece o caminho
só Ele sabe onde está a sabedoria
porque a Sua vista alcança
os lugares
mais distantes do mundo.

Igor Garcia


(Nota do Autor: Esse conto foi inspirado em outro conto chamado “A Arte de andar nas ruas do Centro do Rio de Janeiro”, de um dos meus autores favoritos, Rubem Fonseca. Minimalisticamente, ele se inspirou num outro autor conhecido da literatura nacional, Machado de Assis. Esse é um fragmento de um caderno de notas, uma parte o caminho foi feito no mundo real o outro no mundo dos sonhos. Nunca tive a intenção de fazer nada literário, é apenas uma homenagem diferente a aniversariante de hoje e a mulher que eu amo, Fernanda Pereira do blog Compulsão por Palavras)





Desde que desci do onibus em frente a estação do Metro da Presidente Vargas eu pensei nela. Não que eu tenha lembranças românticas do metro (mesmo o de sampa que é 15 vezes maior que o do Rio de Janeiro), mas pelo fato de ter entrado na Pça da República. A praça para mim é um dos recantos mais deliciosos, relaxantes e nostálgicos do Centro do Rio, desde que comecei a “usá-la” para estudar apostilas RosaCruz a anos atrás. A Pça da republica não é uma praça propriamente dita, é como um Mini-Parque Ecológico retangular, os românticos vão dizer que ele se parece com o Central Park, enfurnado bem no meio do transito caótico que contorna a Sede do Corpo de Bombeiros do Estado do Rio, bem atrás da praça da Republica, recortando o Hospital Souza Aguiar, a antiga Casa da Moeda, para desembocar no meio da Presidente Vargas em frente a Central do Brasil. A única coisa que diferenciaria, segundo os românticos, a Pça da Republica do Central Park são a quantidade de gatos abandonados e Capivaras que o nosso Central Park tem. Entre os córregos, as árvores bruxuleantes, as cavernas artificiais, chafarizes e estátuas mitológicas nesse jardim, eu pensava nela. Pensava em caminhar despreocupado com o tempo, com a hora, com o sol ou a lua. De mãos dadas, numa cena nada incomum, mas com um significado único e comum a nós dois. Pelo sol deveria ser 4 da tarde, e eu sabia que o avião dela só chegaria ou passaria pelo rio a uma da manhã, se o vôo não atrasar.

Por isso eu resolvi andar sem relógios na memória...


Sai da Pça da Reública e fui caminhando até o Saara, Associação de Lojistas criada há mais de meio século e um dos paraísos de compras do Centro (muito menos do que a 25 de março e seus contrabandos) o Saara tem história, como tudo no Centro do Rio. Talvez por isso que eu sempre gostei de trabalhar aqui e apesar de seus problemas, moraria aqui sem questionar. Entre os lojistas recentes (20 anos), se misturam lojistas desde o final da 2º guerra Mundial, árabes, turcos, judeus, chineses, japoneses, espanhóis, italianos, portugueses, tailandeses qualquer origem fugida da guerra onde os sobrados abrigavam todos os refugiados. Ali ainda lembro de ter conhecido uma das primeiras lojas ali a Casa Pedro, que vende até hoje especiarias de todo o Brasil e boa parte do Mundo. Me lembrei dela e da farra que faríamos na cozinha (tb sei cozinhar, para os que não acreditam!) com todos esses temperos, sabores, aromas e degustações (a cozinha é um excelente afrodisíaco, para os olhos e para a boca!) o que não faltará para provar tudo! Enquanto caminhava entre a multidão suarenta de fim de tarde, muita gente saia do trabalho para comprar lá, as lojas funcionavam até as 19, 20 hs, quase havia esquecido uma outra característica da Saara: a Rádio Saara e suas propagandas uma pior e mais brega do que a outra! Não adianta fazer propaganda de qualidade, ninguém compra! Tem que ser bem tosco mesmo, totalmente trash! A que me matou de rir, inclusive depois de ter ouvido algo “parecido” da minha avó, é uma propaganda de aluguel de vestido de noiva. Tinha que ser breguérrimo! A mulher dá um grito no rádio e lamenta berrando: “Ai Meu DEUS! Eu quero é Casaaaaaaaaaaaaaaaaaar!” e toca marcha nupcial!! È de morrer de rir cara, ninguém casa ouvindo essa porra!
Sigo até a Rua do Ouvidor, onde tem a estátua do Pixinguinha, e parte dela onde é preservada desde o século passado, até a rua do Mercado, que de Mercado só tem o nome. Corto por uma viela e saio na Visconde de Rio Branco, seguindo para a Avenida Rio Branco, a artéria principal do Centro Comercial do Rio. Fico parado num sinal, dou um 360 e olho para cima. A única coisa que escuto são carros, ônibus, praças, lojas, igrejas, viadutos, camelos, secretárias, marginais, executivos, mendigos, advogados prostitutas, ambulantes, fachadas, janelas, cartazes, letreiros luminosos, pichações, lixo, bueiro, luzes vermelhas, fast-fode, vans, caminhões, perfume barato e principalmente pessoas. Isso me embrulha o estômago e prefiro sair da artéria pulsante, disfarçado de intestino, e recuperar o ar em outros órgãos.

O Centro do Rio de Janeiro pode ser lido de várias formas...

Corto caminho pela Sete de Setembro e saio na Gonçalves Dias, com suas lojas antiqüíssimas, muitas butiques, cafés e docerias, para admirar a mais histórica de todas, a Confeitaria Colombo. Ela não me sai da cabeça quando decido dar uma pausa para tomar um café com chantily e provar um brownie de fabricação própria. A Confeitaria Colombo existe, ou melhor resiste, há mais de 100 anos e é uma dos poucos resquícios do Brasil Império. Toda a sua arquitetura é baseado naquela época e seu café e extremamente convidativo. Mesmo hoje o nome é preservado, inclusive o preço na hora que eu vou pagar, mas vale pela curiosidade. Só não sei se a curiosidade vale pelo preço...



Resolvo continuar pela Gonçalves Dias até a Rua da Carioca uma das mais antigas e conservadas do Centro do Rio. Os mais diversos sobrados, hoje quase todos comercias pairam de datas centenárias, como um sobrado carcumido que parece uma toca de rato, na fachada vê-se a data, 1918, na lateral vê-se a atividade comercial, Relax por 15 reais, 15 min. Encontraram um nicho de mercado inexplorado: os de ejaculação precoce! Essas contradições, sobrados do inicio do século passado que viraram puteiros, acontecem o tempo todo no Centro do Rio, mesmo com as ruas de comércio direcionado. Enquanto eu ria da comparação, me lembrei dela, que tb tinha feito uma reportagem sobre o tema e o quanto eu tinha orgulho do seu trabalho, da sua inteligência, da sua sagacidade e da perseverança que há muito eu tinha abandonado por estar longe da faculdade. A rua Rua da Carioca é conhecida por comercio direcionado a Malas e Couros e Instrumentos Musicais (inclusive uma das lojas mais antigas do Brasil, onde Ary Barroso e Noel Rosa eram clientes), que hoje divide com Pastelarias, Puteiros e Boates, que foram dois cinemas antigos, da época que os homens iam ao cinema de terno, gravata e chapéu de feltro, e hoje virou Boate GLS e Boate de festas Alternativas, o Cine Ideal e o Cine Íris. Uma noitada com ela numa festa no Cine Íris, pulando e dançando em cima das cadeiras do cinema ao som de punk-eletro-rock, seria no mínimo alucinado, surreal e divertidíssimo! Já começa a escurecer e os Bares enchem depois do expediente. Lembrei do Bar Luiz, um dos mais velhos do Centro do Rio, e com as cervejas mais caras, com sua decoração até hoje igual a dos anos 30, quando foi inaugurado.
Começava a garoar, quando percebi que pelo fato dela chegar a noite, não verá o Pão de Açúcar na Baia de Guanabara quando aterrisar no Galeão. Pelo menos ela verá do Aerorporto o internacionalmente conhecido, Morro do Dendê! Perde-se um, ganha-se outro. (ou ninguém ouviu a musica do filme Tropa de Elite? “Paraparapapapapapapa, o Morro do Dendê ninguém vai invadi!”)
Andei despreocupadamente até a Pça Tiradentes, onde os pontos de entretenimento se divergem e dividem o mesmo espaço com mendigos e indigentes ao longo da praça. A estátua de Tiradentes está cagada de pombo, mas ficou linda com um novo varal de roupas extendido para secar a luz da lua. Carências sociais existem há muito tempo no Centro do Rio e qualquer um se quiser pode virar a cara para não ver. Mas ela existe e nesse sentido, de andarilho, não mencioná-la é destoante, até absurdo criar uma literatura baseada somente nas belezas pitorescas e esquecer o que está ali, debaixo das narinas. Quando menciono divergências de entretenimento é que existem para todos os gostos, 2 Teatros, Baile da Estudantina (Boate para quem é pé de valsa), puteiros em profusão e hotéis baratos para acomodação. Ali o movimento é grande, e ela ficaria fascinada com as peças maravilhosas nos teatros e com o clima do Rio antigo na Estudantina. Imagino ela numa roupa estonteante para dançar, um sorriso estampado e escancarado no rosto, com um perfume de distorcer meus sentidos e com um gingado excitante. As luzes da fachada do Teatro e da Estudantina fariam os olhos dela brilhar e cada palavra, cada gargalhada, cada choro, cada manha, cada swingue, misturando o sabor de sua boca com do vinho, eu ficaria completo...Caramba, já é tarde da noite e se eu fantasiar muito por aqui posso ser assaltado!


Para não perder tempo nem a hora, faço uma passada rápida pela rua do Pólo Cultural Novo Rio Antigo (novorioantigo.com.br) percorro a subida da Avenida Chile ao lado da Oi, percorro a transversal com a Av Rio Branco e a Almirante Barroso, sigo até a Avenida Antonio Carlos e pego o onibus para o Aeroporto do Galeão, já está quase na hora! Quando o ônibus pega a Av Beira Mar a chuva desaba torrencialmente, desfocando a paisagem lá fora, me deixando a sós num ônibus quase vazio, eu, minha imaginação e o coração saindo quase pela boca.
Todos os momentos, sensações e sentimentos contraditórios que tive ao longo do tempo comigo mesmo, anseia pela vontade incomensurável de encontrar com ela pela 1º vez. Juro que puxo lá das minhas entranhas todo o equilíbrio que eu tive a perseverança e a preponderância de exercitar e desafiar diante de algo inusitado nesses últimos meses, principalmente em beijá-la e saber que ela te ama cara. Mas a única coisa que eu penso é numa piada idiota sobre camisinha e sinto como se fosse um adolescente rumo a conquista do seu primeiro beijo! As vezes eu penso que seria melhor ainda três dias sem sair da cama...


Durante o trajeto fétido que me desperta desses pensamentos, quando o ônibus cruza a ponte passando pela Ilha do Governador sobre a Baia de Guanabara, a poça, chego desembestado a porta de entrada do Aeroporto Internacional do Galeão Antonio Carlos Jobim. Mantenho a calma itinerante, porque seu eu correr por aqui sou capaz de ser perseguido pela PF, como se eu tivesse cara de Fundamentalista Islâmico, e prossigo perguntando onde fica a porcaria do terminal de desembarque tal. Do outro lado do Aeroporto! Na ansiedade de entrar logo, esqueci que o ônibus passa pelos dois lados do Galeão. La vou eu igual a um cavalo andando pelos corredores até o outro lado do Aeroporto. Sinto muito, não existe espírito andarilho dentro de um aeroporto. Esteira, parede, mala, janelinha para ver o avião, balcão, cafés, souvenirs, janelinha para ver o avião, livrarias, jornaleiros, restaurantes, janelinha para ver o avião, informações, alfândega, painel eletrônico e mecânico com os horários e locais de embarque/ desembarque e...janelinha para ver a porra do avião! Tudo igual. Tomei um delicioso e caro café, pensando nela a cada gole e o quanto seria delicioso dividir um cafezinho juntos, enquanto conversamos trivialidades como dois namorados.


Finalmente achei a porcaria do local de desembarque da empresa aérea por onde ela sairia. Sentei na ante sala de espera de frente para o portão do desembarque, como se algum anjo fosse sair dali com uma espada flamejante e uma harpa dourada e redimisse os meus pecados. Não tive nenhum interesse esse ano em Natal e em Reveillon. No Natal eu não compartilhei com a hipocrisia anual. E no reveillon eu compartilhei o momento com pessoas que realmente desejariam conviver em harmonia, e por isso valeu muito a pena. A simplicidade e o calor humano deu lugar a suntuosidade e a ostentação. Por isso só dei importancia aquilo que é verdadeiro. Voltando ao aeroporto em algum momento me senti como se estivesse meio acordado e meio dormindo. Como toda chegada de celebridade como o Papa, a Madonna, o U2 ou os Rolling Stones, a dela deveria ser igual. Estava ansioso, nervoso, suado, angustiado, intusiasmado, excitado, esperançoso, desesperado, inseguro, confiante, extremamente feliz, inebriado, exasperado, desconcertado, contente, maravilhado, embasbacado, catatônico e quase tendo um choque anafilático. Ou seja, estava muito tranqüilo. Finquei os pés ali e não sai para nada até ela chegar (estava tendo um outro sintoma do nervosismo: hipotermia!) e o voou atrasou. Ela chegaria a 1 da manhã! Virei para procurar qual o relógio menos errado e TODOS marcavam 1:05 da manhã (dizem que é cabalístico, não sei), no exato momento que eu viro meu rosto eu sou encarado por um par de olhos castanhos que no momento seguinte, fração de milisegundos, se joga nos meus braços, me aperta tão forte e tão calorosamente que eu perco a respiração. E o tempo pára...


Se ficamos ali 15 segundos ou 15 horas ninguém tem idéia e pouco importa isso! Naquele lapso de tempo só existia dois corpos, o coração pulsando e mais nada. Porque o tempo e o espaço foram preenchidos, da maneira mais cabalística possível, que o resto pouco importa, só importa o ali e o agora. Lágrimas e sorrisos se perdem entre pulsações e apertos. O afago, o cafuné, o chamego, o xero, o aroma do perfume um do outro, transpassado pela memória desde o início até o derradeiro dia, é uma sensação de completa satisfação e conforto. A mais derradeira prova foi finalmente superada. Tive uma Epifania quando a abracei, as coisas ficaram nítidas, cristalinas e compreendidas. Aquele é o nosso momento. A vida é feita de momentos. E nossos lábios aproveitaram o momento propício também. O beijo é uma interessante estratégia inventada pela natureza para ser posto em prática quando as palavras se tornam supérfluas.
Hoje, 05/01 é aniversário dela! FELIZ ANO NOVO Fê! Que Deus ilumine e te abençoe para todo sempre, que sua força e perseverança, que nossa objetividade e sagacidade, alcance lugares nunca antes imaginados!
E saiba que esse esquizofrênico aqui, TE AMA DO FUNDO DA ALMA!
Parabéns e felicidades extremas!!


Igor Garcia

Minimalizando o Natal esse ano, esse é o unico e derradeiro motivo para o Natal existir HOJE. A não ser é claro pelos cigarros Lucky Strike que estava a "frente de seu tempo" e em 1950 já publicou o que o Natal viria a ser.

Um espetacular Natal para todos os meus amigos, vizinhos, leitores e meu amor, por mais que a data seja extritamente comercial, que as pessoas resgatem, seja lá de onde, um significado muito mais engrandecedor e próspero, para não dizer divino, para comemorar o seu Natal.

E que sa crianças de sua familia saibam, e entendam um motivo criativo e educativo para ter a familia toda unida, do que apenas para ganhar presentes.

FELIZ NATAL!
Igor Garcia
Blogagem Coletiva (atrasada, porque esse é o 3º tema que escrevo) proposto pela minha queridíssima Andréia Motta do Leio o Mundo Assim.

SANTA TERESA
Entre o Sagrado e o Profano


Um bairro boêmio e cultural da cidade que surge sobre uma colina que já viveu seu boom imobiliário desde o final do século XIX, utilizada, por fontes não confirmadas, varias vezes por centro de comandos militares na década de 60, devido a sua posição estratégica, contornado por ruas e ladeiras tortuosas, vielas e declives, retornando-se a um ponto de encontro de artistas, intelectuais, hippies, universitários, bêbados e escritores e milhares de turistas principalmente estrangeiros.

Por mais que essa descrição seja parecida (e comparada) com o bairro de Montmartre, em Paris (bairro boêmio com seus artistas, intelectuais, hippies, universitários, escritores, bebados e bailarinos), Santa Teresa é o bairro do Rio de Janeiro que detém todas essas descrições no currículo, dentre outras particulares que nenhuma outro bairro artístico da França tem: 17 favelas.

Santa nasceu chique. Ou melhor, nasceu...Santa. No século XIX, com a chegada das missões estrangeiras que acompanharam Dom João VI, os ricos e poderosos escolheram o morro para viver: a vista era linda, a água, de melhor qualidade, e o clima, mais ameno. Naquela época, abriu-se a primeira via de acesso, a Rua Dona Luzia, hoje Candido Mendes, e iniciou-se um verdadeiro boom imobiliário. No final do século, o bairro já estava completamente povoado por casarões nobres. A ocupação era predominantemente europeia. No começo do século XX, com o burburinho dos visitantes, a maioria artistas que vinham se apresentar no Municipal, muitas mansões passaram a abrigar hotéis de luxo, como o velho Hotel Santa Teresa. Santa tornou-se a Montmartre carioca (o bairro onde nasceu o internacionalmente conhecido cabarét Moulin Rouge Paris). Nos anos 60, no entanto, o glamour começou a descer a ladeira. O primeiro motivo foi uma tempestade de três dias seguidos, em 1966, que destruiu casas, matou pessoas, isolou o bairro e expôs a fragilidade da infra-estrutura local. Paralelamente, as favelas do entorno se multiplicaram. Aos poucos, os moradores endinheirados partiram e os imóveis passaram a ter preço de banana.

A partir de 1999, as coisas começaram a mudar. Estrangeiros começaram a subir o morro, atraídos pelo charme natural, já que pouca coisa acontecia por lá. As casas estavam ocupadas por artistas locais e alternativos em geral. Lá por 2002, teve gente que resolveu trazer uma rede internacional de turismo e hospedagem, para hospedar turistas que apareciam de mochila nas costas e não encontravam hotel. É conhecida como "Bed and Breakfest". O Cama e Café acabou gerando uma importante mídia espontânea que divulgou a região lá fora. Santa Teresa entrou no roteiro do guia "Lonely planet", a bíblia dos viajantes, e ganhou matérias em jornais importantes como o inglês "The Guardian" e o americano "The New York Times", além de diversas reportagens em revistas. Dos muitos gringos que bateram pernas pelas ruelas, alguns ficaram e compraram casarões, atraídos pelos preços acessíveis. Santa Teresa viveu, então, um novo boom imobiliário. E aí todos os tipos de infraestruturas foram levantadas para abranger os novos turistas que se hospedavam em Santa Tereza, principalmente franceses. Lá pelas bandas de Paris, o Rio de Janeiro era apenas samba, suor, carnaval, mulheres, futebol e violencia. Devido a comparação com o bairro francês, muitos artistas instalaram seus ateliês nas ruas de Santa. Há anos, diversos Centros Culturais Municipais, Cinemas, Projetos, exposições, museus, teatros, oficinas, workshops e bibliotecas, foram se multiplicando em Santa.

O Carnaval tb faz parte de Santa Teresa com o unico bloco "comportado" do Carnaval: o Bloco das Carmelitas! Existe no alto do Morro o Convento de Santa Teresa e o bloco todos os anos representa uma espécie de fuga do Convento, o abandono do Hábito e o cair na Folia. Os católicos mais ortodoxos odeiam e acham uma falta de respeito. Cada um pensa o que quiser, mais sair fantasiado de freira ou de frei no Bloco das Carmelitas é divertidíssimo!

A Chave Mestra, Associação de Artistas Visuais de Santa Teresa, possui no site todos os projetos artísticos e culturais que ela promove, inclusive o evento mais conhecido que faz parte do calendário cultural da Prefeitura do Rio, o "ARTE DE PORTAS ABERTAS". Todos os ateliês do bairro abrem suas portas e garagens para qualquer pessoa apreciar e comprar os trabalhos. O evento ocorre normalmente em Julho, mas pode haver mais de um evento por ano, com seu devido mapa de ateliês.
A hospedagem, que virou tb uma caracterísitca marcante em Santa, não é apenas para quem procura Hotéis 5 estrelas (O antigo Hotel Santa Teresa, ou Hotel dos Descasados, que virará um Chatôu) ou Bed and Breakfast (mais baratos que hotéis da zona sul). Varia republicas de estudantes, albergues, quartos e vagas para alugar, inclusive nas antigas mansões e palacetes do bairro, fizeram a festa de quem precisa estudar e morar próximo ao Centro. Além do bairro ser localizado numa colina, com as raízes na Lapa, o seu entorno faz limite com os bairros da Glória, Catete, Botafogo, Laranjeiras, Cosme Velho, Silvestre, Humaitá, Centro, Catumbi e Rio Comprido.

A marca mais conhecida de Santa Tereza são os Bondinhos de Santa Teresa, os unicos bondes remanescentes do Rio Antigo, e os unicos bondes que ainda circulam no Brasil, que ainda estão em pleno funcionamento. Por um preço exclusivamente barato (R$ 0,60 comparado a passagem de onibus de R$ 2,20), vc pode passear pelas ruas de Santa saindo da estação que fica no Centro, ao lado do prédio da Petrobras, passando por cima dos Arcos da Lapa e subindo até quase o Morro dos Prazeres. Inclusive com um passeio próprio até o Cristo Redentor. Se vc estiver pelas ruas de Santa e seguir o ditado ao pé da letra "pegar o bonde andando", ficando nos beirais, sem se sentar, vc anda de graça. Com a velocidade do bondinho e os rangidos dele, parecendo que o bondinho vai se desmontar a qualquer momento, é uma aventura única!

Aliás, o Morro dos Prazeres abriga um casarão centenário, que já passou de mão em mão, desde instituições particulares ao Governo Federal, hoje nas mãos da Prefeitura, conhecido como Casarão dos Prazeres, onde tenho lembranças históricas por ter sido minha primeira reportagem e nessa época os condutores de bonde estavam em greve, um Centro Cultural que dá lugar a várias aulas de arte plástica, dança e música para jovens moradores de seu entorno. É lá que acontece o Comunid’Arte evento onde moradores de favelas de Santa Teresa expõem seus trabalhos artísticos. O Casarão dos Prazeres é o centro de exposições e atividades educativas e comunitárias que a Secretaria Municipal de Educação mantém. No dia em que pisei ali pela primeira vez, toda a comunidade estava organizando a primeira apresentação de Balé Infantil do Casarão dos Prazeres.

A Prefeitura do Rio tem tanto conhecimento do Casarão, que quando eu fui na própria Secretaria de Educação, muitos funcionários além de desconhecerem e nunca terem ido lá, acharam que eu estava fazendo uma matéria histórica de um Puteiro!

Só por esse pequeno detalhe que qualquer um pode imaginar que Santa Teresa não é o pedaço de céu cercado de favelas por todos os lados. Não tem menos violência e falta de segurança pública do que no resto do Rio de Janeiro, existem diversos e milhares de problemas de transporte público e uma única empresa monopólica que atende ao bairro, lá existem índices significativos de crimes, como assalto a mão armada e estupros, e de vez em quando facções rivais tentam tomar o poder das favelas dali, fazendo com que tenham incursões e blitz policias, inclusive do BOPE, mas que EU VI COM MEUS PRÓPRIOS OLHOS, o que a cultura pode fazer com a cabeça de uma criança que vive e cresce numa comunidade cercada pelo Comando Vermelho. E que o mínimo de infraestrutura e revitalização do bairro é construído pelos próprios moradores.

Como se todo mundo fosse morro...

Fotos:

André Claudio Mendonça
Ana Maria Moura (sketch colorida do Casarão dos Prazeres)
Literatura e Rio de Janeiro
Bloco das Carmelitas
Arquivo Pessoal

Informações Turisticas, Artisticas e Culturais

InformaSanta.com
Camaecafe.com.br